Às vezes, é preciso fugir da rotina. Nem que seja apenas um fim de semana. No meu caso, resolvi ir passar dois dias a Madrid, logo após concluir a licenciatura. Agora que penso nisso, esse fim de semana de passeio e puro relaxamento (ainda que com a agitação de uma cidade grande) foi essencial para enfrentar tudo aquilo que se seguiu na minha vida. Mas isso fica para outra altura. Agora, inspire-se com as imagens e dicas que lhe dou para um excelente fim de semana em Madrid, no qual não precisa de gastar muito dinheiro.

Dica nº 1: Poupar desde o início

Comece por comprar uma viagem barata. No meu caso, consegui comprar bilhetes na FlixBus e a ida e volta para Madrid ficou por apenas 5€. É uma questão de fazer pesquisas diárias e de estar atento às promoções não só das companhias aéreas, mas também de outros tipos de transporte. Depois, existe a questão do alojamento. Provavelmente, esta é a particularidade que lhe pode sair mais cara. Ainda assim, consegue encontrar alguns hostels a 20€ por noite. Esta é a melhor opção para fazer viagens low-cost. Partilhar quartos com pessoas nem sempre é mau. Pode, até, ser enriquecedor do ponto de vista em que lida com cidadãos de diferentes culturas.

Dica nº 2: Defina os locais que vai visitar antes da viagem

Por questões de logística e de poupança, que se relacionam com o ponto 1 deste artigo, opte por escrever um plano de viagem e decida aquilo que quer ou não visitar na cidade. Cheguei a Madrid numa sexta-feira à noite e fui logo passear pela zona da Gran Via, onde acabei por jantar. Aproveitei para ver como é a noite madrilena, ainda que não pudesse ficar até muito tarde. Ao fim de contas, o sábado estava reservado para as visitas aos museus.

Dica nº 3: Aproveitar ao máximo o tempo

Acordar cedo pela manhã e tomar o pequeno-almoço é a melhor decisão a tomar enquanto se viaja. Sapatilhas calçadas e ala que se faz tarde. A primeira paragem foi na Estação de Atocha, onde, a 11 de março de 2004, morreram cerca de 2000 pessoas num ataque terrorista reivindicado pela Al-Qaeda. Após este momento de reflexão, foi altura de sentar no Starbucks e tomar um café enquanto que os museus estavam fechados. De seguida, segui para o Museu Reina Sofia e lá pude apreciar (não encontro outra palavra melhor) a Guernica. A pintura de Picasso diz-me muito, pelo que a história da Guerra Civil Espanhola é um tema que gosto especialmente de estudar. No Museu do Prado também pude passear entre os quadros, nomeadamente de Roger van der Weyden, um dos meus pintores favoritos. Recomendo vivamente a visita a ambos os museus.

Dica nº 4: Almoço com direito a passeio

Seja qual for o destino da sua viagem, tente que o local de almoço seja distante do local em que se encontrava anteriormente. Deste modo, poderá aproveitar para conhecer um pouco mais da cidade enquanto se desloca até ao local. Neste caso, o espaço de eleição foi o Mercado de S. Miguel, conhecido pelas incríveis tapas que fazem o requinte de quantos por lá passam. Mas, antes disso, passei pela Plaza de la Villa, onde todos se vestem a rigor e se respira cultura espanhola. Ali, as sevilhanas estavam vestidas a preceito e prontas para fazerem a vista dos turistas. Logo após encher a barriga, decidiu-se que era tempo de conhecer a Chueca, um bairro que é conhecido em Madrid por ser símbolo da comunidade LGBTI. Cheguei lá com muitas expectativas, à espera de ver bandeiras de todas as cores. No entanto, as imagens que vi na internet a esse respeito remontam ao World Pride de há dois anos. Mas tudo bem! Na Chueca não falta diversão e roof tops não faltaram para, ao menos, descansar um pouco.

Dica nº 5: Aproveitar para fazer algumas compras

Em viagem, é sempre importante fazer algumas compras que não conseguimos no nosso país. Por isso, e apesar de esta ter sido uma viagem low-cost, é de aproveitar os preços e a oferta espanhola. A tarde ficou reservada para compras na zona de Cibeles (Banco de Espanha, Instituto Cervantes e redondezas) e Gran Via, onde fiquei estupefacto pelos cinco andares da maior Primark da Europa. Ali estava ela, com tudo o que não se encontra em Portugal. Não comprei nada por impulso e essa é uma das melhores dicas para viajantes, mas lá que havia peças e objetos de aproveitar, ai isso havia. Após as compras, ainda consegui ouvir um artista de rua a cantar uma das minhas músicas favoritas do Pablo Alborán – Tu Refugio. Fiquei encantado, é uma música que me diz muito e que me liga ainda mais a Espanha. Nesse mesmo instante, surge uma manifestação na qual se reivindicava a legalização da cannabis.

Dica nº 6: O último dia é para relaxar

Posso gabar-me de que tudo nesta viagem foi feito com tempo. E ainda houve tempo para vários momentos de lazer, pelo que uma viagem não tem de ser sempre a bater pé na estrada. O último dia, domingo, ficou guardado para visitar os Jardins del Retiro. Ali a natureza está perfeitamente em harmonia com a agitação da cidade. Quase que se pode dizer que é o Central Park de Nova Iorque. Com esculturas e caminhos verdes de cortar a respiração, o jardim foi o local escolhido para almoçar uma bela salada e dali rumar ao autocarro, para regressar a Portugal. Terminou assim uma viagem que se quis rápida, mas intensa e com tempo para fazer tudo o que se pretendia em apenas um fim de semana numa das maiores capitais europeias. Fica, agora, a promessa de regressar a Madrid. Sou, até, capaz de me imaginar a viver com os “nuestros hermanos”.

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