Entrevista com uma Winx

Hey, amazings!

A Teresinha apareceu-me numa aula de Espanhol. Já não me lembro quem meteu conversa, mas na Faculdade de Letras somos todos muito desenrascados. Conversa vai, conversa vem, apercebi-me que a Ana Teresa colabora com a PSB. A produtora trabalha maioritariamente em dobragens de desenhos animados. Mostrei-lhe logo o meu interesse e começámos a cantar as músicas de todos os genéricos que davam no Canal Panda. Percebemos que temos muito em comum no que toca a essa matéria. Sabemos um do outro e na altura de pedir opinião enviamos logo mensagem. Gostava que a Teresinha tivesse mais tempo, mas a agenda dela é muito ocupada. É difícil conciliar aulas e dobragens. Conheçam esta minha grande amiga na segunda entrevista aqui do blog, a primeira foi com o jornalista Xavier Pereira da revista CRISTINA.


Rúben Henriques: Olá, Teresinha! Obrigado por aceitares a entrevista. Sabes que é muito importante para mim ter-te aqui no meu espaço. Em primeiro lugar, vamos ao teu nome. Eu chamo-te Teresinha, mas o nome completo é Ana Teresa Pousadas. É um bom nome artístico?

Ana Teresa Pousadas: Olá, Rúben! Eu é que tenho de te agradecer por esta oportunidade maravilhosa e pelo teu apoio incansável desde o início. Relativamente à questão, se o meu nome é um nome artístico ou não, penso que a melhor resposta que poderei dar-te é que a arte reside também na simplicidade. Se é um bom nome para fins artísticos, sinceramente não te sei responder em relação a isso, mas se é um nome do qual me orgulho muito, a resposta é definitivamente “SIM!”.

RH: Já me contaste um pouco de como conseguiste ser atriz de voz. Sempre cantaste e começaste a fazer gravações para o Youtube. Como utilizaste esse material junto da produtora?

ATP: É verdade. Realmente sempre tive um grande interesse pelo mundo das dobragens e pela Disney, nomeadamente. Como tal, desde muito cedo comecei a reunir material suficiente e a criar um portfólio cujo conteúdo se baseava na “dobragem caseira” de filmes de animação. Isto tudo com apenas 12 anos! Tive que aprender a trabalhar também com alguns programas de edição e acabei por me focar em duas vertentes: uma dedicada a covers de canções de desenhos animados e outra, dedicada à dobragem de pequenas cenas de filmes das mais variadas produtoras. Mais tarde, enviei o conteúdo que reuni ao longo daquele tempo a vários estúdios de dobragem, tendo consciência que dificilmente me iriam chamar devido ao facto de este mundo ser considerado um meio muito fechado e limitado. Milagrosamente e cerca de seis meses depois, fui contactada por um dos estúdios, que me convidou a fazer um casting com eles. A partir daí, a minha vida mudou totalmente e tive a possibilidade de concretizar aquilo pelo qual lutei durante tanto tempo.

RH: Como foi o primeiro dia na produtora e qual o primeiro projeto que tiveste em mãos?

ATP: OOOOOH. O primeiro dia! Para além de me encontrar numa pilha de nervos e tremer mais intensamente que um martelo pneumático, acho que gaguejei mais do que aquilo que era suposto. Bem, mas nada disso me parou. Lembro-me perfeitamente de ter entrado na cabine para gravar aquilo que, na altura, era um anúncio sobre o bullying para a Nickelodeon e, apesar de não ter ficado com o papel, reconheceram algum do meu potencial e disseram, quase de seguida: “Parabéns! Ficaste! Bem-vinda!!!”. Tentei manter algum profissionalismo, mas a verdade é que só consegui gritar “YES” e saltar várias vezes naquela mesma sala, devido à euforia que me envolvia naquele momento. Sempre mantive uma postura muito humilde e fiel a quem realmente sou. Após umas semanas chamaram-me para fazer um casting para uma série que ia estrear em breve. Passei o casting e foi assim que comecei a gravar a minha primeira série chamada “Ni-Hao, Kai-Lan” e cujo cliente era a TVI. Dei voz às personagens Lulu, Meimei e ao Stompy.

RH: Já deste voz a algumas personagens das Pop Pixies. Como é, agora, gravar uma temporada das Winx para a Netflix?

ATP: É verdade. Apesar de ter começado apenas por fazer personagens secundárias nessa mesma série (juntamente com a temporada 6 de Winx, na qual dei voz à Miele, a irmã da Flora), agora surgiu a oportunidade de dobrar a nova série spin-off das Winx, denominada de “World Of Winx” para a Netflix e na qual houve uma maior carga laboral, visto que fui responsável pela adaptação musical de todas as músicas da série, tanto na parte da tradução como na parte do canto, e na qual dei voz a personagens como a Musa, Roxy, Evans, Sophie, Silka, Madelyne e o Espírito do Mundo dos Sonhos. Agarrei-me a esse trabalho com muita dedicação e foi uma das oportunidades mais lindas que a vida me ofereceu. Apesar de saber que estou constantemente sujeita a críticas neste tipo de trabalho, tenho feito o meu melhor e mantive-me sempre firme em relação a isso. A temporada 2 estreia em breve e estamos de momento a trabalhar nela. Ainda não sei que mais personagens irei fazer, para além da Musa e da Sophie, mas a gravação das músicas desta temporada vai começar muito em breve.

RH: Penso que o teu maior projeto foi também o mais recente. Exigiu muito gravar o filme Abelha Maia – Os Jogos do Mel?

ATP:  A minha participação no filme “Abelha Maia – Os Jogos do Mel” para o cinema, foi realmente um acontecimento que eu não esperava. Sabia que os Estúdios PSB – Produções Audiovisuais iriam estar responsáveis pela dobragem do mesmo, mas achei que nunca seria possível eu participar num evento tão grande e importante como esse. A verdade é que foi a minha prenda de Natal. Fui notificada no dia em como iria dar voz à Violet, a principal rival da Maia e a antagonista do filme. Penso que demorei a processar esta informação e só no dia seguinte é que consegui aceitar que aquilo realmente tinha acontecido! Relativamente à questão, o processo de gravação da Abelha Maia foi rigoroso e exigente no sentido em que tínhamos de respeitar os batimentos da boca de cada personagem e tudo tinha que ficar perfeito. As repetições eram um cenário frequente. Para não falar que a minha personagem foi um desafio constante. Costumo dizer às pessoas: “A Violet não é má, ela é terrível”. Mas sabes como se diz, “quem corre por gosto, não cansa”.

RH: O filme já está no cinema e todos podem assistir. Como descreves o ambiente com os colegas e porque é que este é um grande filme?

ATP: O filme estreou no dia 8 de Fevereiro nos cinemas portugueses. Os meus colegas desenvolveram um trabalho fenomenal ao longo do filme e foi muito divertido fazer este trabalho com eles. Entre lapsos linguísticos, risos e choros, esta jornada foi uma aventura muito especial. Aliás, a sensação de quase absorvermos a personagem que estamos a representar, é algo de muito bonito. E eles todos são seres humanos muito bonitos, na verdadeira essência da palavra. Em relação ao filme em si, só posso aconselhar vivamente que o vão ver. Podem contar com a participação da nossa querida Júlia Pinheiro, Daniel Oliveira, David Mesquita, Susana João, Anna Ritta, Inês Pereira e com muitos representantes da SIC. É um filme fabuloso que questiona os limites da amizade e a força e a determinação de uma abelhinha que tenta sempre fazer o bem, por ela e pelos outros.

Ana Teresa com Susana João que dá voz à protagonista do filme

RH: Já falámos disto algumas vezes. Hoje, tens possibilidade de privar com alguns atores cujas vozes estão presentes nos desenhos animados da nossa infância. É como se conhecesses as personagens ao vivo e a cores?

ATP: A entrada no mundo artístico permitiu-me realmente conhecer outros mundos, outras realidades, outras pessoas também pertencentes ao meio. É engraçado que questiones isso, pois essa torna-se uma questão realmente abstrata e complexa. Mas a minha resposta é “não”. Cada um dos atores com os quais já convivi tem a sua personalidade bastante fixa e o seu percurso bastante definido. Quando representamos, tornamo-nos na personagem. Adquirimos traços e características que previamente não possuíamos. E por vezes, temos momentos nos quais nos identificamos com as personagens para as quais estamos a dar voz. Todas elas ficam com um pedaço nosso, um “toque” nosso. E volto a repetir, nós criamos expetativas elevadas em relação a esse mundo, mas a “simplicidade”, é algo que tem que estar presente. A humildade também. Todas as pessoas com as quais já trabalhei e com quem me cruzei neste percurso, têm revelado uma postura e humildade que por vezes me surpreende. No sentido positivo, é claro. Portanto, é como se conhecesse a mistura daquilo que eles representam, e aquilo que eles são verdadeiramente. A tua identidade é uma componente fixa e irás indubitavelmente deixar rastos da tua personalidade em cada personagem que representas. Mas também irás aprender com elas. Constantemente. Portanto, em suma, a minha resposta é que não se trata de conhecer as “personagens” ao vivo e a cores… Mas conhecer as verdadeiras cores de cada pessoa.

RH: Na Faculdade de Letras estás a tirar o curso de Estudos Clássicos. Consegues utilizar os conhecimentos das aulas no trabalho?

ATP: Rúbenzinho! Estudos Clássicos? Andas distraído! Estou a finalizar o curso de Comunicação de Cultura! Vê-se mesmo que não prestas atenção a nada do que te digo (ha, ha, ha!). Relativamente à questão, creio que a resposta é afirmativa no que toca à parte da comunicação e na obtenção de conhecimentos acerca desta. No entanto, estou a pensar aprofundar os meus conhecimentos e fazer um curso referente a estudos artísticos e artes performativas de modo a integrar-me mais neste meio. A vida é uma constante aprendizagem e nós nunca paramos de aprender, é incrível. Mas mais incrível são aqueles que fazem por saber mais. E eu neste momento estou nessa fase.

RH: Porque é que tu és incrível?

ATP: SOU???? 😀 (Brincadeirinha!)
Acho que todos nós somos incríveis. Cada um de nós tem que estar ciente das suas capacidades. E todos nós temos capacidades. E todos nós temos que seguir os nossos sonhos e ambições. O caminho não é fácil, mas não é impossível. A verdade é que nunca saberemos se não tentarmos. Mas há que manter uma mensagem sempre presente. É preciso sermos humildes. Este mundo precisa de pessoas humildes. E com isto digo, “ser humilde não é ser menos que alguém. É saber que não somos mais que ninguém.” Vivemos todos debaixo do mesmo teto e o respeito e a tolerância são valores que têm de ser mantidos. O importante é tentarmos ser melhores por nós, mas também pelos que nos rodeiam.

RH: Teresinha, está feito! Nem sei como te agradecer. Sei que andas com o tempo contado. Mas ainda temos um vídeo para fazer, andamos a falar dele há imenso tempo. Agradeço-te muito por me teres aturado naquelas aulas de Espanhol onde falávamos de tudo. Em particular de sonhos. Dos teus e dos meus. Obrigado, amiga!

ATP: Darias um ótimo jornalista. Fizeste questões pertinentes e que me puseram realmente a pensar, tornando este processo moroso, mas também delicioso! Eu é que tenho que te agradecer por esta oportunidade. E sei que um dia também chegarás longe. Nunca desistas dos teus sonhos e mais importante, nunca desistas de ti. Um grande beijinho, meu querido

A Teresinha inspira-me. Inspira humildade, esforço e dedicação. Gosto de falar com ela. Nem sempre foi bem tratada, mas eu estive e estou cá sempre para a ajudar. Ela, mais do que ninguém, merece todo o sucesso que está a ter e também o que ainda virá. Espero, um dia, estar a entrevistá-la para um canal de televisão e que a conversa seja sobre um grande filme ou série onde ela tenha participado. Não se esqueçam de estar atentos ao Instagram dela e de ir ao cinema ver a Violet.