Se é feminista, estas produções são para si

Sou daqueles que quando vê as mulheres a terem os seus momentos de poder fico todo arrepiado. É incrível! Não consigo evitar o meu feminismo e defender as mulheres é quase uma obrigação. É impossível ficar indiferente e penso que essa deveria ser uma luta da grande maioria. Infelizmente, não é. E as mulheres continuam a ser desvalorizadas e a ter menos direitos que os homens. Por isso mesmo, julgo que o cinema e a televisão, aliados à imprensa, são a melhor plataforma para exaltar as mulheres e mostrar, efetivamente, que em nada são inferiores aos homens!

The Bold Type

É a série que se baseia na revista Cosmopolitan, adotando o título de Scarlet. Junta três amigas, uma assistente de moda, uma jornalista e uma diretora de social media. Entre conversas no armário de moda e aventuras pelas ruas de Nova Iorque, as amigas inspiram-se e apoiam-se na famosa diretora da revista, Jacqueline Carlyle, que se apresenta como uma mulher de ferro. Muitas vezes, pressionada pela administração, desafia todos os poderes e publica artigos dos seus jornalistas que colocam em causa aqueles que mandam na empresa. Portanto, para além de ser uma mulher no poder, que ainda por cima fez referência ao movimento #MeToo, ainda exalta a liberdade de imprensa. Liberdade que é questionada devido às atuais mudanças que estão a afetar a comunicação social e os média em geral. Os novos média têm trazido grandes mudanças e esta transformação ainda se vai estender por alguns anos, pelo que é um dos assuntos tratados na terceira temporada, que está a ser emitida.

O Diabo Veste Prada

Meryl Streep é diretora da revista Runway e conhecida como a Dama-Dragão. Miranda Priestley não dá tréguas a ninguém e para ela só existe o plano A. Segundas oportunidades dificilmente existirão para esta mulher que está ao comando da maior revista de moda de Nova Iorque. Ainda assim, levado ao extremo, é um exemplo de empoderamento feminino que não é indiferente a ninguém. Uma outra personagem é a de Anne Hathaway, que se vê obrigada a aceitar o trabalho como assistente de Miranda. Ao longo da película, a assistente Andy vai sofrendo uma grande evolução, a nível pessoal e profissional. Uma ótima sugestão para compreender melhor como funciona o mundo da moda e das revistas especializadas, mas também para consciencializar aqueles que acham que quem trabalha no meio vive de uma forma superficial, muito pelo contrário.

Realizado por David Frankel.

De facto, as mulheres ainda não têm os mesmos direitos que os homens. Ainda assim, é o empoderamento da mulher também já é uma realidade, seja ou não na ficção. Atualmente, já existem muitas mulheres na política e até em cargos de direção nas empresas. Mas são sempre a minoria, por isso é preciso que se façam mais filmes. Mais livros. Mais cultura. Portanto, inspirações de revolução para as mulheres. E homens incríveis que as apoiem e suportem para alcançarem os seus objetivos, que muitas vezes se vêm anulados pela pressão de uma sociedade que as obriga a ficar em casa a cuidar da família, sim isso ainda existe. Acabemos com a discriminação.

Meryl Streep in The Post (2017)

The Post

Também protagonizado por Meryl Streep, o filme inspira-se no jornal americano The Washington Post. Numa altura em que documentos secretos sobre o envolvimento dos Estados Unidos da América na Guerra do Vietname são revelados, Katharine Graham, a proprietária do jornal, tem de tomar a importante decisão de publicar os documentos. Com isso, o Tribunal insurge-se contra a imprensa e, em especial, contra o The Washington Post. Abordada e condicionada por vários homens poderosos, nomeadamente na administração do jornal, a personagem interpretada por Maryl Streep vê-se obrigada a tomar uma posição que até então não estava associada a mulheres - a tomada de decisão. Sendo dona do jornal, primou pela liberdade de imprensa aliada ao facto de ser uma mulher no poder.

Spoiler: à saída do Tribunal, Katharine Graham é aplaudida por um grupo de mulheres. Arrepiante!

Realizado por Steven Spielberg.

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Licenciado em Artes e Humanidades pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Mestrando em Jornalismo na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Espera um dia ser jornalista/apresentador na televisão nacional.